Delcídio Amaral, ex-aluno do Instituto Mauá, é atual Senador da República pelo seu estado natal, Mato Grosso do Sul, e responsável por projetos na área de infra-estrutura e desenvolvimento do país.
Que curso você fez na Mauá e por qual razão foi escolhido? Quando se formou?
Prestei vestibular para Mapofei, naquela época era Mauá, Poli e FEI. Entrei no curso de Engenharia Elétrica. Meu pai já era engenheiro e militava na área de energia. Como costumo dizer, cresci respirando ‘energia’. Me formei em 1978.
Qual foi sua trajetória profissional?
Me especializei em questões de energia, sempre atuando como engenheiro em empresas e usinas que me levaram a conhecer o Brasil e o mundo. Ainda na faculdade, estagiei na General Eletric do Brasil S/A. Recém-formado estive na usina de Paulo Afonso, na Bahia, e fui engenheiro encarregado da supervisão da construção e montagem da Usina de Tucuruí, no Pará. Vivi dois anos na Europa trabalhando na Shell. Dirigi a Eletrosul em 1991. Em 1994, ocupei a Secretaria Executiva do Ministério das Minas Energia, me tornando Ministro até 1995.
A Mauá fez diferença neste caminho?
Inegavelmente a Mauá fez diferença em meu currículo. Era uma escola com o corpo docente gabaritado e competente onde os alunos eram bem exigidos. Aprendi e gostava muito de lá, lembro-me ainda meu número, 12139.
O que o fez realmente deixar de ser apenas engenheiro para se tornar um político de engenharia?
Sempre atuei como executivo em grandes empresas e o conhecimento da realidade brasileira, aliada à esta experiência administrativa, serviu para despertar a vontade de fazer política, não apenas executar, mas formular. Fui convidado para Diretoria de Gás e Energia da Petrobrás e encarei de frente a crise de energia de 2000/2001. Foi quando o Governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (ainda apenas líder sindical) me convidaram para ocupar o cargo de Secretário de Estado de Infra-estrutura e Habitação. Deixei o cargo da Petrobrás e fiz minha inscrição no PT. Meu nome foi cogitado para candidatura ao Senado mesmo eu sendo um desconhecido no meio político. Enfrentei o veterano Pedro Pedrossian e venci por uma diferença de 73 mil votos.
O senhor presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios. Como foi esta experiência?
A CPI dos Correios foi uma experiência midiática que cumprimos com isenção e dureza para expor os fatos à população. A partir de agora as absolvições e condenações cabem à Câmara e ao Judiciário. Fico feliz ao ser cumprimentado na rua pelo desempenho positivo de nosso trabalho.
Na sua opinião, qual é a situação do desenvolvimento da energia e infra-estrutura brasileira?
O maior problema para o desenvolvimento de energia e, consequentemente, de infra-estrutura está na legislação. Para isso são necessários marcos regulatórios bem definidos em cada setor: energia, transporte, saneamento, habitação e recursos hídricos.
Com o PAC o senhor acredita em uma melhoria significativa neste setor?
O PAC é um grande investimento para acelerar o desenvolvimento brasileiro. Mas para isso acontecer o grande desafio é ter pessoas competentes para aprovações tanto no Congresso quanto nas empresas estatais. É preciso também existir um bom relacionamento entre os investimentos estatais e privados.
Como o setor energético pode gerar empregos e desenvolvimento ao país?
Não existe apenas uma solução e sim um conjunto. Uma das propostas que defendo é a adição do Biodiesel ao óleo diesel. Pelo Biodiesel ser um combustível limpo e renovável, a produção do mesmo em larga escala permite ampliação da oferta de empregos na agricultura e nos serviços a ela ligados. Isso provoca uma revolução no campo, principalmente nos estados que têm a economia centrada no agro-negócio.
Quais seus projetos além da candidatura à prefeitura de Campo Grande?
A prefeitura de Campo Grande ainda não é algo certo, depende do partido escolher um candidato. Como cada estado tem suas particularidades e eu, apesar de estar ligado à energia, não acredito que se obtenha sucesso em uma área se não houver subsistência para outras. Por isso alguns de meus projetos para o Mato Grosso do Sul envolvem legislação de fronteira, demarcação de propriedades indígenas, comercialização de produtos gerados em assentamentos e criação de um banco de dados para que efetivamente haja análise das famílias a serem beneficiadas pela reforma agrária. Estamos também em trabalho árduo na Comissão de Infra-Estrutura e de Marcos Regulatórios no Congresso.
Delcídio do Amaral Gomez
Casado, 2 filhas. Nascido em 08/02/1955.
Natural de Corumbá/MS.
Graduado em Engenharia Elétrica pelo Instituto Mauá de Tecnologia (1978).
Ministro de Minas e Energia de setembro/94 a janeiro/95.
Eleito senador pelo estado do Mato Grosso do Sul, em 2002, com quase 500 mil votos.
Presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios.