Qual o perfil da área naquele momento?
A gestão era na base da boa vontade. Havia um corpo de pessoas que era chamado para resolver o problema, e não para solucioná-lo. Este corpo técnico mais antigo seguia a linha de não opinar em nada, só ouvir e obedecer. Era comum a seguinte situação: se a tarefa passada era pintar a parede, fazia-se isso, somente a parede, não se mexia no rodapé. Eles eram educados a seguir orientações específicas e não a participar.
Como foi mudar isso?
Um trabalho de longo prazo; alguns inclusive não se adaptaram. Outros, hoje, têm uma postura totalmente proativa. Conseguiram entender que a posição deve ser outra. Não é somente para ele fazer, mas é para ele perguntar, questionar, sugerir, tirar dúvidas.
Essa sua área enxugou?
Acabou enxugando um pouco, mas hoje eu tenho um sistema que me dá a possibilidade de atuar, mesmo que a quantidade de serviço seja grande. Entretanto, tenho que administrar isso de forma a satisfazer a maioria das pessoas, até porque não se consegue contentar a todos integralmente. Tentamos minimizar o descontentamento.
Área de Estudos para 350 usuários fica no prédio da Biblioteca "Eng. Álvaro de Souza Lima", inaugurado em 2000.
O trabalho é intenso?
Sim. Temos, por exemplo, uma certa programação, que na maioria das vezes sofre interferências, mudanças. O Centro de Pesquisas pode vender um ensaio de 2.000 peças para ser executado em 30 dias. O professor programa uma aula nova, que vai ter uma parte prática. É função do meu departamento fornecer suporte a essas demandas. Como são diversos cursos, várias habilitações na Engenharia e diversos setores no Centro de Pesquisas, eu tenho vários “chefes” (seguramente, mais de 20 pessoas); e cada um tem a sua linha de coordenação própria, diferente. Não são simples “clientes”, mas clientes que têm uma necessidade pontual, e que precisa ser atendida.
É possível alinhar todas essas culturas de forma perfeita?
Não. Com a grande oscilação na demanda, não conseguimos. Temos uma equipe (uma parte interna e outra externa), mas quando “aperta” muito, eu consigo algum reforço externo. Como apoio, temos um sistema informatizado. Começamos a fazer em planilha Excel; mais tarde, um estagiário iniciou o desenvolvimento de um software interno. Hoje, temos um sistema próprio que me fornece o status dos serviços programados, as necessidades... Enfim, que gerencia as ordens de serviço.
Qual é a composição da área de Manutenção e Serviços?
Gestão de contratos, gestão de energia elétrica, água, telefonia, documentação, propostas de inovações da área, como mudanças no sistema do ar condicionado, co-geração... Como áreas de apoio, temos três setores: Infra-estrutura Predial (elétrica e hidráulica), Equipamentos e Serviços e Oficina e Marcenaria. Como são 100 laboratórios de Engenharia, temos equipamentos muito diversificados, que precisam de manutenção, de calibração, um número grande de compressores, gerador de vapor... Para isso, utiliza equipe interna? Para ar condicionado, por exemplo, há um contrato. Mas para a maioria dos outros itens, não temos grande volume, atuando com uma equipe interna. Para equipamentos específicos, às vezes existe apenas uma empresa no Brasil capaz de fazer a manutenção. Por sermos uma Escola de Engenharia, temos um setor de Oficina e Marcenaria.
E os outros serviços?
Também cuidamos de gráfica, correio, segurança, limpeza, jardinagem, estrutura física, mobiliário, layout de reformas. Inclusive, acabamos de inaugurar um espaço para a pós-graduação, dadas as necessidades de novos cursos no início do ano letivo. E foi uma implantação em curto espaço de tempo. Em outubro, temos a Eureka (feira de trabalhos de graduação). São, atualmente, trabalhos de graduação dos cursos de Administração, Engenharia e Superior de Tecnologia, apresentados em três dias de evento, sempre no mês de outubro, aqui no Campus de São Caetano do Sul. Para as instalações físicas, desde 2000, utilizamos as três quadras do ginásio de esportes, aproximadamente 1.800 metros quadrados de feira. A Mauá monta um estande para cada um desses grupos de alunos (que em 2006 passou dos 150). Por utilizarmos as quadras do ginásio, temos que fazer toda a proteção do piso, com borracha, madeira, carpete. Como são trabalhos técnicos, um grupo precisa de gás especial de oxigênio, de nitrogênio, outro, de ponto de água e de esgoto, Internet sem fio, telefone, outro grupo quer trazer máquina pesada que não cabe lá dentro... Cada grupo desenha o seu estande dentro de um modelo que fornecemos e o entregamos montado.
Normalmente, quando começam a trabalhar isso?
Começamos a trabalhar com os alunos em agosto (gostaria de iniciar antes, mas nunca dá tempo, seja porque um software não está pronto...), mas de montagem, mesmo, temos 10 dias de prazo. O último dia para esta montagem é bastante pesado, e trata-se de uma feira que funciona das duas da tarde às dez horas da noite, mas normalmente temos as visitas de emissoras de TV, que chegam às seis horas da manhã. Aí tem que ligar gerador... Mas é um evento muito legal e que vale muito a pena.
Com certeza, o seu público nesses dias aumenta muito, não?
É verdade. E isso nos leva a adotar medidas especiais para segurança e estacionamento. O senhor participou do MBA/USP Gerenciamento de Facilidades.
O que isso te trouxe profissionalmente?
O curso consegue posicionar o profissional. Eu não tinha outras experiências fora daqui, então me baseava mais pela tecnologia. Acredito que eu já estava dentro do foco da área, mas o MBA me deu uma visão mais corporativa e bases mais fortes de informação, o próprio grupo de colegas de MBA. Ainda temos esse contato, essa troca de informações, mesmo que por telefone... E isso é muito importante, principalmente na busca de fornecedores, quando se precisa mudar o parceiro atual ou ampliar o leque de serviços;... Essa troca de “figurinhas” do mercado ajuda bastante.
E o que é um bom fornecedor?
Essa é uma pergunta bastante interessante, até porque, nesta questão de indicação, eu costumo tomar alguns cuidados: ele foi adequado dentro das minhas necessidades, e pode não ser para as de outro. Para mim, o bom fornecedor é aquele cuja política é adequada à política da minha empresa, e o tamanho do serviço que ele pode prestar é adequado àquele serviço que eu estou procurando. É preciso “casar” essas duas coisas; aí sim tem grandes chances de sucesso. Uma outra coisa que não fazemos aqui é leilão de preço. Porque eu acho que o fornecedor tem que trabalhar contente com aquilo que ele está fazendo. Se ele é pressionado para reduzir o preço, dependendo da situação, ele até aceita, mas quando surgir o primeiro detalhe em desacordo com a proposta, ele vai alegar que não estava incluído no preço; e vai querer tirar a diferença em outros pontos do contrato. Acredito que esses são alguns cuidados que já minimizam grande parte de um problema. E, felizmente, a Mauá não exige a contratação pelo menor preço. Nós elaboramos um documento mencionando os diferenciais de cada proposta e a decisão é tomada por um comitê externo ao departamento, com base na análise dos diversos fatores técnicos e comerciais e não apenas no preço final. Se houver uma justificativa plausível para defender a contratação de determinado fornecedor, ela é aceita. Com isso, também consigo ter contratos de longo prazo.